sustentabilidade, vulnerabilidade e resiliência

oficina temática, 21 de outubro de 2019, 08:30, IGEO/UFBA

O seminário seminário temático Sustentabilidade, Vulnerabilidade, Resiliência foi realizado em 21 de outubro de 2019 no auditório da Pós-Graduação em Geografia no Instituto de Geociências – IGEO – da Universidade Federal da Bahia.
A abertura do evento foi feita por Tânia Scofield, presidente da FMLF, que fez um breve histórico dos seminários realizados, mencionou a composição do GAPLAN – Grupo de Acompanhamento do Plano Salvador 500 e seu papel nas discussões temáticas. Após a abertura a professora Olivia Oliveira, diretora do IGEO deu as boas vindas aos participantes do evento e na sequência abordou a questão recente do desastre ambiental causado pela presença de grandes manchas de óleo no litoral nordestino.
Gilberto Corso, coordenador do projeto, explicou a dinâmica prevista e a agenda do evento e convidou a professora Erika Cerqueira para iniciar sua apresentação sobre vulnerabilidade socioambiental e situações de risco em Salvador.
Erika iniciou a apresentação conceituando risco – probabilidade /potencialidade de ocorrência de um evento danoso – e explicitando a dinâmica do estudo, que se baseou na cartografia da distribuição espacial das ocorrências das situações de risco. Tópicos apresentados incluiram: o fato de Salvador abrigar o maior contigente (Brasil) da população vivendo em área de risco (dados IBGE); características do ambiente construído; saúde; violências; cartografia da densidade das ocorrências de situações de risco. A síntese final apresentou uma tipologia de vulnerabilidade socioambiental em Salvador, o que resultou numa classificação do espaço da cidade, a partir destes parâmetros. Foi ressaltado que a tipologia de vulnerabilidade, construída a partir de dados de situação de risco, sem dados socioeconômicos, revelou uma alta correlação entre as carências historicamente acumuladas – infraestrutura urbana, padrões de moradia, segregação socioespacial – e os riscos atuais.
O seminário teve sequência com apresentação do professor Asher Kiperstock, que abordou na introdução a noção de sustentabilidade e qual o desafio colocado? Foram discutidos tópicos como: Backcasting, ou seja, se colocar no futuro e olhar para o passado para entender as mudanças; as distancias entre a sustentabilidade e as dinâmicas; Sustentabilidade deve ser encarada como uma utopia; qual o desafio da sustentabilidade? energia e mudanças climáticas; métricas mostram que a mudança é irreversível e a realidade dos dados é pior do que qualquer cenário, visto somente a crise econômica global de 2008, mostrou uma reversão dos dados de emissões para um cenário pessimista previsto no acordo de Paris. O documento da OECD, Agencia Internacional de Energia, Cenários e estratégias para 2050, se resumido em uma frase afirma que “as atuais perspectivas energéticas globais são… insustentáveis“. Seria necessário uma revolução energética para nos aproximarmos de um cenário otimista.
Outros tópicos abordados incluíram:
um espaço operacional seguro para a humanidade. desafios: clima; acidificação dos oceanos; ciclo do nitrogênio; perda de biodiversidade; 20% do nitrogênio produzido pela urina humana; A água de Salvador com mais de 50% é originada da bacia do Paraguaçu que é uma bacia do semiárido. A energia consumida em Salvador, fornecida pela CHESF, também vem de bacia do semiárido (São Francisco); o desperdício de água tratada, perda de cerca de 50% da água que passa pela rede da EMBASA; emissários jogam águas do semiárido no mar. transformação de água usada – esgoto – em água potável é um 1/5 do custo de transformação de agua do mar em agua potável; o modelo de saneamento que praticamos – pode ser visto como equivalente a metáfora de um balde furado; cenário para 2074 aponta que a redução de água do Paraguaçu pode chegar a 88%; formas de ação: acabar com uso da palavra resíduo, reciclar não resolve dada a magnitude dos problemas; greenwashing – “atitude verde” apropriada pelo marketing empresarial e corporativo.
A apresentação seguinte foi realizada por André Fraga – secretário municipal de Cidade sustentável que abordou o planejamento de longo prazo e setoriais. – planos estratégicos – 2017-2020.
O inicio da discussão tratou de questões conjunturais como: Seca, alta temperatura, falta de chuva, queimadas, incêndio em áreas florestais; que revelam necessidade de ações efetivas.
Revelou que em 2013 a PMS tinha mais de 100 inscrições como inadimplente no Cadastro Único de Convênios – CAUC e um grande deficit de dados e informações.
Foram discutidos tópicos como: plataforma cidades sustentáveis, instituto ethos; ODS direcionados das estratégias da secretaria; Planos Salvador resiliente, Salvador 360, plano mata atlântica, plano gerenciamento costeiro e das bacias hidrográficas.
Apresentou os compromissos da PMS e os desafios, como: integração politicas municipais com EMBASA; com a agenda metropolitana. Salvador não participa da gestão metropolitana; Zero carbono até 2049. inventário gases poluentes existente – a ser atualizada; criar metas, estabelecer planos, meta 2020; plano de ação climática para o acordo de Paris; Plano de mitigação e ação climática. financiador BID; plano de ação climática, financiador, C40 cities; Ação climática para o oceano. Future Ocean Allience, estratégia para retomar relação com BTS; paradiplomacia – governos locais, atores subnacionais. Salvador integra diversas redes de colaboração entre cidades
Foi mencionado como ações da PMS: a realização climate week, com cerca de 5.000 inscritos e grande visibilidade na mídia; Painel Salvador de mudança do clima e a adoção de políticas públicas baseadas em evidências científicas; Pró-adapta. soluções para adaptação climática – 2022. Adaptação Baseadas em Ecossistemas – ABE; projeto Mané Dende; meta mudar o combustível dos ônibus para padrões menos poluentes;
incentivo a eletromobilidade, ciclovias, desafio de conectar as ciclovias; plantio de árvores, IPTU verde; coleta seletiva – aqui houveram poucos avanços; CODESAL, desafio da topografia; programa Morar melhor – 20.000 unidades, parques, reforma Jardim Botânico; Mané Dendê, parque linear, modelo bacia hidrográficas; outorga onerosa – incentivo ao mercado, IPTU verde.
No campo das políticas de Inovação, a adoção de novas tecnologias – chamadas temáticas, edital inovação; Salvador, cidade com mais startups do Nordeste, Fórum Salvador cidade inovadora.
O debate que se seguiu discutiu questões como: mobilidade ativa, necessidade de integração da rede de ciclovias, desafios para a redução do uso de automóveis; criação de novos parques, conflitos existentes, parque das dunas x aeroporto; consumo e desperdício de água, necessidade de nova estrutura tarifária e de incentivo ao baixo consumo; diferenças entre políticas de mitigação e de adaptação; qualidade das calçadas, já que 30% da população se move a pé; a necessidade de melhorar a governança e a gestão; falta de dados sistematizados; politicas de inovação e de adaptação à crise ambiental devem levar em conta que a situação vai se agravar; a necessidade de tratar das diversas “cidades” que coexistem dentro de Salvador; politicas para a redução de desigualdade…

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