paisagem e cultura

Paisagem e Cultura, como identidade e recurso. !3/dezembro/2019

O seminário temático Paisagem e Cultura como identidade e recurso teve início na manhã do dia 13 de dezembro de 2019 no auditório da Pós-Graduação em Geografia, no Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia – UFBA. O evento, que integra o projeto Salvador: visões de futuro, foi organizado na forma de painel a partir das intervenções e apresentações dos conferencistas. Participaram do painel que deu inicio à discussão a pesquisadora do Núcleo Salvador do Observatório das Metrópoles e do Laboratório de estudos avançados em Cidade, Arquitetura e tecnologias Digitais – LCAD, Maria das Graças Gondim dos Santos Pereira e os professores e pesquisadores do CULT – Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura da UFBA, Paulo Miguez, atual vice-reitor da UFBA e Albino Rubim, ex-secretário de Cultura do estado, ambos coordenadores de estudo realizado em 2015 para subsidiar o plano Salvador 500.

Os participantes do seminário foram pesquisadores e profissionais da área, técnicos da Prefeitura Municipal de Salvador, representantes de movimentos sociais, conselheiros do Conselho Municipal da Cidade e convidados, num total de cerca de 45 participantes. O evento iniciou com a abertura de Socorro Fialho, representando a presidente da FMLF, Tania Scofield. Após a abertura Gilberto Corso esclareceu os objetivos deste evento, comentou a sequencia de discussões temáticas promovidas pelo projeto e apresentou os participantes do painel.

O painel iniciou pela apresentação de Graça Gondim que tratou do tema Paisagem tendo como ponto de partida a premissa de que este tema não vem recebendo atenção adequada nos processos de planejamento urbano recentes. Apresentou dados sobre áreas verdes, lembrando que Salvador tem hoje um pouco menos de 12 m2 de área verde por habitante quando segundo parâmetros internacionais o índice ideal estaria em 50 m2. Lembrou o estudo pioneiro do PLANDURB (Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano), de 1976, sobre a imagem da cidade que tratou dentre a outras coisas de marcos visuais Salvador no visão de diferentes segmentos sociais e profissionais.

As dimensões de análise consideradas na apresentação foram: Paisagem e estrutura perceptível; paisagem na visão sistêmica; Paisagem e parametrização; paisagem e ambiente; paisagem e cultura. Estas dimensões foram dissecadas no decorrer da apresentação a partir de exemplos empíricos e da literatura internacional disponível. 

Foram tratadas: as relações paisagem/imagem a partir do estudo do Plandurb e de video que apresentou a paisagem atual como observado pelos grande corredores de tráfego da Salvador contemporânea; a relação entre paisagem e processos de parametrização, através do conceito de densidade – percebida, visualizada, mensurada, quantificada; o papel da paisagem na visão sistêmica; a relação com ecologia e sustentabilidade; e a relação com Cultura.

Na sequencia do painel Paulo Miguez e Albino Rubim apresentaram e discutiram a contribuição proposta para o plano Salvador 500 na área da Cultura, enquadrando a dimensão cultural como um eixo estratégico de desenvolvimento, considerando que pensar desenvolvimento, no caso de Salvador, é pensar na cena cultural.

O cerne da proposta é retirar da Cultura o papel de um elemento acessório em um plano de desenvolvimento da cidade e conferir a Cultura um papel estratégico, com a meta geral de Salvador voltar a ocupar uma posição que já teve no século passado de referência cultural para o Brasil e internacionalmente.

Foram apresentados alguns projetos âncora concebidos: Institucionalização da Cultura, através da criação de um arcabouço politico-administrativo que faça a gestão transversal dos processos e equipamentos; mapeamento cultural da cidade; grande eventos e instituições culturais; formação e capacitação em Cultura como forma de atrair para Salvador pessoas e projetos.

Como um dos problemas atuais para o desenvolvimento da área foram mencionados: a falta de dados sobre Cultura, e uma das ações urgentes seria a recuperação de arquivos e memórias sobre Carnaval, Capoeira, Festas, iniciativas populares; a necessidade de investimento em educação patrimonial e sinalização adequada. 

Outros tópicos abordados foram: a necessidade de ações para a regulamentação da festa, na sua dimensão organizava, sendo lembrado a expertise já consolidada na administração municipal ao longo das últimas décadas; a potencialidade que equipamentos como um Museu do Carnaval e um centro de estudos sobre Capoeira podem ter com indutor de turismo cultural; a atração de artistas nacionais; a necessidade de políticas de apoio ao audiovisual – cinema, televisão, games, cultura digital, lembrando que cerca de 10% do PIB americano está relacionado à Cultura e a industria do entretenimento; a importância de articular a Cultura e seus projetos com a população, tendo em vista que a economia de bens simbólicos hoje cresce mais do que a de bens materiais.

No debate que se seguiu as intervenções trataram de tópicos como: a necessidade de rever o Carnaval da Barra, tal como ele se apresenta hoje com impacto perceptível sobre a estrutura urbana; a possibilidade de prever uma forma de gestão da cidade à noite, que é um tempo importante para a cena cultural; a necessidade de implementar formas de regulação e controle das alterações da paisagem construída e natural; a questão do racismo como um obstaculo para o desenvolvimento da cultura negra; a importância de associar a Cultura aos processos educacionais e à rede escolar que poderia agregar espaços para atividades culturais nos bairros; os desdobramentos de um modelo de desenvolvimento que considere Paisagem e Cultura articulada com o uso do solo urbano e a acessibilidade e mobilidade da população, considerando o sistema de transporte de alta capacidade; a segmentação de Salvador em “várias cidades” e a necessidade de tratar estes espaços diferentes entre si – social e fisicamente – de forma diferenciada; a experiência de Medellin e o impacto das Bibliotecas Parque e de equipamentos culturais urbano na diminuição da violência.

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